10.9.17

A melhor geração

Falem da fixação no Instagram, da vida no WhatsApp, das noites perdidas no Youtube, do encerramento nos quartos, dos ‘shots’ de fim-de-semana, dos desmandos em Lloret de Mar, falem da inebriação dos festivais de verão, das incertezas e das arrogâncias, do desinteresse pelos livros, falem dos universos substitutos, de Westeros e da Marvel e do ‘anime,’ falem de como antes era bom e agora é mau, falem de como os pais dividiram orações n'Os Lusíadas do Restelo a Calecute e de como os filhos não sabem distinguir o género humano do Manuel Germano, falem do individualismo, da competição, de gerações X e Y, falem de telefones ubíquos, de vidas em exposição permanente, falem sim, mas assestem neles os olhos com espanto e admiração e maravilha. Não há, nunca houve, geração mais determinada, persistente, focada no que quer, capaz de saltar barreiras cada vez mais elevadas, de vencer um presente que os catapulte para um futuro para o qual eles se preparam como nenhuma outra anterior sequer almejou. Que ninguém vá ao engano da demagogia fácil, lacrimosa, saudosista de um passado que nunca existiu: entrar em cursos universitários com as exigências de agora, obriga não a um ano ou dois de trabalho, mas a um quarto de vida, que é do que falamos, um quarto de vida, de dedicação plena, de estoicismo, sem paragens nem abrandamentos nem perda de vista do alvo. Se eles prepararam assim o presente, o futuro está em boas mãos.