8.6.17

O que existe em paralelo

Asak espetou dois paus na areia e sentou-se num tapete a tomar chá de menta. O sol banhava de luz o deserto com a exceção das duas sombras paralelas, filiformes, à sua frente. Longa era a viagem do sol, mas tempo, que é a areia da eternidade, não lhe faltava. Nem chá. Eventualmente, as duas sombras que eram paralelas, sobrepuseram-se. O que é paralelo não se encontra senão no infinito, dizem os homens. Mas Alá, que fez o sol e a sombra, sabe mais. Encontram-se sim, no finito. Nem que seja preciso rodar um mundo. Quando o sol começou a separar as sombras, Asak rodou os paus, por forma a que continuassem sobrepostas. Ou nem que seja preciso contrariar a rotação do mundo, pensou Asak. E bebeu mais chá de menta, que tomava amargo, ao invés de todos os outros. Sempre do contra, pensou. E sorriu.